”(…) Poderia ser o retorno de uma dinastia jamais olvidada. Cabelos claros, olhos cinzentos como o mais tempestuoso céu noturno que, no entanto, precedia o frescor de uma manhã jovial. Ele era alto, muito alto para os escassos dezesseis anos de vida. Era dono de mãos grandes e fortes, em demasia parecidas às do avô. Sabia movê-las com a mesma habilidade que marcara a carreira do pai, encasado anos antes como ‘o neurocirurgião de sua década’; os dedos longos e firmes moviam-se conforme os comandos exatos de seu cérebro. — Cheque-mate. Imarcescível, perene, impassível. O oponente o mirava enervado, incrédulo. Escassos sete minutos e vinte e seis segundos haviam-se passado desde o primeiro movimento. Fritz Kiefer não só era muito mais velho como - julgava-se - soberbamente mais inteligente. Conquanto, o jovem campeão era um prodígio incógnito. Dado que aquele não era qualquer prodígio: herdeiro de uma arcaica dinastia, descendente de reis e portentos, ele era tênue fora de casa. Poucos conheciam sua verdadeira identidade, sua real idade, a subsistência de seu fardo: Asriel Mulheim-Ulrich.”
→ 17/05/2010